visitante(s) soprando palavras ao vento




30.4.03

se ainda me quiseres

serei a folha amarelada no caderno
ou um rabisco intelegível que anotaste
desde que seja eu algum dos teus pertences
numa gaveta do teu armário de cabeceira

a raiva que as vezes me assola
é a surda ira em metamorfose
e esgana o que restou de mim
pois ando lambisgóia ao teu redor

o meu olhar comprido suplicante
submisso aos teus caprichos
me mandas ir ou vir e fico ou vou
me mandas silenciar eu calo

e se num ímpeto te abraçasse
e me repelisses com vigor
o que de mim seria sem teu hálito
me rendo mendicante ao teu amor

tem alguma coisa de patético
eu sei - em mim - em ti - em nós
e os teus desmandos viscerais
me assolam e dilatam meus gemidos

o que fazer se ainda sou romântico
incrédulo me atormento assim pacífico
e nem sei mais fugir sou tão metódico
assisto inerte a esse crepúsculo fatídico

tarciso soprou estas palavras ao vento às 4:46 PM
 

Urgência


















































Sorry, your browser doesn't support Java.
Com a mesma fome dos miseráveis que reviram colinas de lixo e entulho em busca dos restos
Com a mesma sede dos beduínos que perscrutam desertos em busca de um oásis
O mesmo desespero dos doentes que agonizam uma dor insuportável
Com o brilho infantil que se reflete nos olhos de quem recebe um presente inesperado
Com o mesmo suor e cansaço dos operários que trabalham debaixo do sol, musculos retesados pela força exercida
Com a pressa dos atrasados, que correm contra o tempo na ânsia de chegar à tempo, no tempo que já passou
Com esta urgência que me consome e impele.Que me frustra e me impulsiona, num crescer constante e absurdo.
Assim, dessa maneira.
Assim... o meu amor por você.





Bia soprou estas palavras ao vento às 2:17 PM
 

Qual é o verbo mais importante?



O verbo que fez tudo surgir é o verbo conjugado de lábio em lábio, o verbo sacrossanto cantado em uníssono nos cantos gregorianos, o verbo entoado como um mantra ou salmodiado, o verbo profanado dependendo do substantivo que o acompanhe. O verbo a amaldiçoar nos lábios do traído, o verbo a abençoar do agraciado, o verbo perdoar nos lábios do arrependido; o verbo a ecoar, o verbo a ressoar e reverberar em cavernas, catedrais, montanhas e prédios vazios. Este é o verbo que não existe no silêncio, falar; e também o verbo que existe no silêncio, calar. O verbo gravar magneticamente, o verbo memorizar mentalmente o verbo se eternizar por escrito, o verbo registrar multimídia. Mas qual é o verbo mais importante?
O verbo da primeira conjugação quando se nasce, o verbo respirar; o da segunda conjugação, reter; o de terceira conjugação, expirar. O verbo da inspiração e da expiração, da vida. O verbo fazer acompanhado do advérbio de modo, praticado pela pessoa do sujeito é verbo que falha no modo imperfeito ou que acerta no modo perfeito ou ainda prima pela excelência no mais - que - perfeito do indicativo de que, na humanidade, se quer ou pelo menos tenta fazer o melhor.
O verbo finito proferido por lábios mortais é o verbo infinito no infinitivo:
Nascer, viver, respirar, chorar, ouvir , cheirar, olhar, , sentir, pegar, mamar, defecar, urinar, comer, rir, crescer, aprender, engatinhar, manipular, andar, balbuciar, brincar, falar, estudar, correr, saltar, xingar, elogiar, comunicar, questionar, conversar, discutir, conviver, beijar, agredir, errar, acertar, quebrar, desculpar, consertar, fugir, ir, voltar, amar, odiar, temer, inventar, construir, destruir, desejar, cobiçar, conquistar, namorar, reatar, copular, trair, perdoar, engravidar, morrer...recomeçar.
O verbo flexionado em número, pessoa, modo, tempo e voz, pode no entanto ser um verbo inflexível como odiar ou discriminar.
Um verbo requer outro como o macho requer a fêmea: saciar necessita de comer, saber necessita de aprender, poder necessita de querer, fazer de acontecer, escrever de ler, errar de arrepender, amar de corresponder.
Um verbo pode ser regular, irregular e também pode desregular; um verbo pode ser anômalo e por isso discriminado, pode ser defectivo por falta de tempo para se dedicar aos outros; pode ser o principal por ser importante ou auxiliar aos outros por ser caridoso. Pode ser pessoal quando egoísta, impessoal quando público.
Um verbo tem tempo para tudo fazer: pode estar presente quando perto, pretérito quando já se foi ou futuro quando vier. O tempo pode ser simples...na solidão ou composto por um casal.
Mas infelizmente o verbo mais importante é o menos conjugado hoje em dia, o verbo conjugal, conjugado pelos cônjuges : amar. O verbo que salva o mundo no gerúndio, amando e salva um mundo no particípio amado. Indicativo e imperativo infinitivo de que sem o substantivo amor a humanidade se dissolveria.


Gregory Grimaud

Gregory Grimaud soprou estas palavras ao vento às 2:34 AM
 


29.4.03

OCEANO INTERIOR

(Eliane Stoducto)



Algas, plâncton, maresia
espelho de águas serenas
angras, pélagos, enseadas
sob uma pele morena


águas cálidas, tranqüilas
encobrindo turbilhões
profundezas insondáveis
reinos de treva abissal


grutas secretas, águas frias
correntezas e marés
lavando o lodo das mágoas
transformando o fel em sal...

Li Stoducto soprou estas palavras ao vento às 11:06 PM
 

Apresentação


Com a recente indicação do Aos 4 ventos ao Blog of Notes, acreditamos que se faz necessária uma apresentação, principalmente tendo-se em conta o grande número de pessoas que visitam o blog pela primeira vez.

O Aos 4 ventos nasceu de uma idéia do Luiz Tarciso de literalmente espalhar suas idéias e pensamentos aos quatro ventos. Ele então convidou alguns de seus amigos a participarem com ele na nova empreitada, dentre eles, o talentoso Adaílton Persegonha, do blog Leite de Pato.
Com os afazeres de cada um, e a impossibilidade de atualizar o blog, os participantes acabaram se dispersando, e a idéia de espalhar os pensamentos ao vento também.Algum tempo depois, o Tarciso decide retomar o projeto e me convida para participar , tratando de soprar algumas palavras no vento incerto e inconstante dos blogs.Daí foram chegando os outros, que convidados, aceitaram prontamente, e abraçaram a idéia do blog.

O Aos quatro ventos é um blog coletivo, e que acima de tudo respeita a individualidade dos seus participantes.

Os participantes que contribuem espalhando suas palavras ao vento são nove ao todo, mas este número está sujeito à mudanças de acordo com a temperatura e os ventos que sopram vindos de todas as direções.
Para conhecer e saber um pouco mais de cada participante, basta clicar nos links que se encontram na coluna ao lado, em
Os que sopram as palavras.
No mais, esperamos que gostem, e que gostando, voltem.
Não há razão de ser nas palavras que se espalham aos ventos sem no caminho colidirem-se com outras idéias, propagando-se no eco de todos os pensamentos.
Sejam muito mais que bem vindos!!

Bia soprou estas palavras ao vento às 10:27 PM
 

Quem...??


Quem foi que disse
que pra sentir da boca o gosto
há que se manter os lábios entreabertos?
Quem foi que disse
que pra sentir da pele o calor
há que se despir
de roupas e pudores?
E disse que para amar
tem que se fazer uma escritura
de posse e localização?
E saber nome, sobrenome, e profissão?
Quem foi que disse?
Quem...?







Bia soprou estas palavras ao vento às 2:27 AM
 


27.4.03

O amor renasce



O amor renasce das cinzas de uma separação dolorosa, tal fênix; renasce de um perdão concedido por uma traição cometida; renasce num raro instante de paz e armistício entre uma árabe e um israelense, no oriente médio; no perdão da dívida, e não nas moratórias intermináveis, o amor renasce; no alto de um prédio instantes antes de um suicídio ser cometido, assim ele realmente renasce; na acolhida que a mãe dá ao filho pródigo que a casa torna, e quando a ovelha negra da família é readmitida no lar; por todo o lugar, na mesma medida que morre o amor renasce como o sol que raia e se põe diariamente; o amor renasce tal e qual sementes que só germinam após um incêndio na floresta e geram as maiores árvores de lindas flores e frutos doces que alimentam o espírito; renasce como uma planta amarelada esquecida num canto escuro e seco de sua casa que se revigora quando exposta à luz acolhedora do sol e ao carinho da água regada sobre as suas folhas; o amor brota por toda a parte, como ervas daninhas que insistem em crescer em nosso coração, como trepadeiras em nossa alma; o amor renasce da relação proibida entre o padre e a devota fiel; da união anti-ética entre o psicólogo e a paciente, ele renasce dogmático; o amor renasce sem razão aparente, entre parentes; da união incestuosa entre irmãos, o amor renasce escondido; dos abusos sexuais que alguns pais infligem às filhas, o amor violento renasce; o amor renasce sui generis entrementes e habeas corpus; entre ortos, homos e heteros, renasce sem rótulos, estereótipos, barreiras tabus ou limites; o amor renasce insistente junto com os mortos-vivos e zumbis do filme no cinema, na garota agarrando medrosa o ombro do namorado; o amor renasce quando Julieta ressuscita e toda a história muda; renasce apaixonado quando Cristo traz Lázaro dos mortos e quando o próprio Cristo ressuscita : o amor renasce no terceiro dia; o amor renasce numa carona dada depois da aula, num flerte dentro de um ônibus e até num atropelamento: o amor renasce no trânsito quando veículos e vidas colidem; o amor renasce quando o sexo não mais existe, na terceira idade em retratos desbotados em asilos esquecidos pelo tempo; no pregão da bolsa de Tóquio, entre dois operadores exauridos, o amor renasce indexado; quando o executivo dita uma carta para a secretária insinuante de pernas cruzadas e quando a doméstica deixa a porta do quarto entreaberta para o patrão, ele renasce com a força do pecado; o amor renasce em São Paulo num escritório, no Rio de Janeiro na praia, numa churrascaria no Rio Grande do Sul , na esplanada dos ministérios, em meio à corrupção; amor renasce em todos os lugares e fusos horários; quando finda a esperança, a última que morre, o amor é o primeiro que renasce; o amor morre nas mãos do carrasco chamado orgulho e renasce curado pela donzela sinceridade, e cresce mais forte quando cortado como cabelos e unhas, sempre a crescer; o amor renasce como escravidão do corpo e como grilhões nas almas notívagas e afoitas pelo doce cárcere de algemas que prendem as mãos, celas que retém os corpos unidos e delimitam as ações e traições; como cola nos lábios, entrelaçar de línguas, razões injustificáveis e desiderato de se ver e falar diariamente ao telefone; renasce de cartas perfumadas escritas entre lágrimas e pulsar implorando perdão; de flores e bombons, ursinhos de pelúcia e filhotes de cães ornados com laços róseos de paixão e escovas de dente juntas; o amor surge e ressurge diariamente como os índices da bolsa de valores, como hóstias nas bocas dos católicos, como palavras escritas em vão por escritores frustrados, como um olhar de fúria de um assassino, como o delírio de um bêbado num boteco de esquina, a ilusão de um louco, ou batom nos lábios de uma prostituta; ressurge do bolinar tímido entre um homem e uma menina e vice- versa; ressurge dos pólos opostos, da corrente alternada , da água a jorrar por turbinas gerando a corrente elétrica que faz o mundo girar e a tudo ilumina, apagando-se subitamente só para, em seguida, reacender iluminando os corações da humanidade.

Gregory Grimaud
Baseado em ¿o amor acaba¿ de Paulo Mendes Campos.

Gregory Grimaud soprou estas palavras ao vento às 10:15 PM
 


26.4.03

Mentes brilhantes...ou sei lá o que.

Uma vez o programa Fantástico fez uma reportagem mostrando o talento de um menino de 5 ou 6 anos em realizar cálculos matemáticos e lidar com números em geral. O menino era surpreendente mesmo. O repórter propunha problemas e desafios e o gurí resolvia com a calma de um gênio, de 6 anos.
O melhor desta reportagem não foi a descoberta desta mente considerada brilhante. O melhor foi que uns 15 anos depois a equipe do programa encontrou o menino, que nesta altura já tinha seus 20 e poucos anos, para ver em que ele havia se especializado - claro que já esperavam algo como um Físico da Nasa, Matemático de alguma universidade norte-americana etc..
A surpresa foi, e é aí que está a beleza desta história real, o cara abandonou os cálculos e guinou sua vida para alguma coisa ligada a artes, decoração, pinturas, não me lembro bem o quê. Não seguiu seu destino pré-determinado.
Claro que a pergunta que fica é: porquê?
Ele contou que ficou mais alguns anos destacando-se por ter enorme facilidade em aprender e desenvolver raciocínios lógicos e que entendia que sua facilidade vinha do fato de gostar mesmo daquilo. Fazer cálculos era seu passatempo preferido mas quando teve que optar por uma projeto de vida escolheu um desafio maior, algo que ainda não dominasse e algo que pudesse mudar seu destino.
Resolver problemas difíceis não era mais nenhuma novidade nem para sí nem para ninguém. Era normal e ele não quis cair na normalidade. Enganou o destino e estava muito bem.
Disse também que quando tem um tempinho faz alguns cálculos, como diversão, sem compromisso com o futuro.
Nunca mais esqueci, e acredito que a vida é isso mesmo. Precisamos de tempos em tempos dar uma rasteira no destino e surpreender.
Nada é impossível, é só querer ser feliz.
Quando me perguntam se eu sempre gostei de matemática eu digo na hora:
Claro que não, me dava até muito mal nas provas.
Mas lá pelas tantas me ví apaixonado pelos cálculos e ainda sem ter nenhuma facilidade com as contas decidi que queria ser professor e acredito que me tornei um bom professor mas que ainda tem muito que melhorar.
A vida é mesmo assim, e é legal porque é assim: surpreendente.
E façamos como aquele cara da histórinha que contei que não lembro o nome nem de onde vem, mas mudou o rumo da sua vida buscando a felicidade.
Isso eu nunca esqueci.



Antonio Esperança

soprou estas palavras ao vento às 5:32 PM
 

Normalmente uso as minhas próprias palavras
Aproprio-me dos verbos
Adjetivo sujeitos
E às vezes até atropelo a Gramática
Na ânsia de brincar com verbetes
para criar cenários
e personagens
e tranformar sonhos
em realidade de papel
Hoje resolvi dividir o sonho lido
e uma imagem
ao mesmo tempo concreta
e etérea...



O iceberg nos atrai mais que o navio,
mesmo acabando com a viagem.
Mesmo pairando imóvel, nuvem pétrea,
e o mar um mármore revolto.
O iceberg nos atrai mais que o navio:
queremos esse chão vivo de neve,
mesmo com as velas do navio tombadas
qual neve idissoluta sobre a água.
...
É por dentro que o iceberg se faceta.
Tal como jóias numa tumba
ele se salva para sempre, e adorna
só a si, talvez também as neves
que nos assombram tanto sobre o mar.
Adeus, adeus, dizemos, e o navio segue viagem,
e as ondas se sucedem
e as nuvens buscam um céu mais quente.
O iceberg seduz a alma
(pois os dois se inventam do quase invisível)
a vê-lo assim:concreto, ereto, indivisível.

O Iceberg Imaginário de Elizabeth Bishop
tradução de Paulo Henrique Britto



CoRa soprou estas palavras ao vento às 12:01 PM
 


25.4.03

vazante

um vértice e duas vertentes
um olhar insinuante, cândido
zonzo, assimétrico e demente
separa do mundo um aro cintilante

as águas despejadas em torrentes
fazem alagações e aluvião de terras
molho meus pés na fúria ensandecida
lépido a escapar de suas enxurradas

mergulho nas profundezas do tempo
em rodamoinhos de fragor estonteante
as décadas passadas e futuras
cintilam e fulguram delirantes

no escarcéu ruidoso das lembranças
um tique-taque do relógio na parede
tão monótono, nostálgico e inclemente
pulsa, maltrata e me tritura em solidão

tarciso soprou estas palavras ao vento às 2:39 PM
 

Brechas no Brechó



Um dia eu comprei uma elegante capa de chuva, de gabardina num velho brechó. Bem talvez não fosse tão elegante assim - porque era de um verde-musgo que lembrava o verde-oliva dos uniformes militares - e não tão à prova de chuva, porque estava sem o forro e os seus bolsos davam em lugar nenhum.Para eu andar nas ruas úmidas da paulicéia era perfeito; e, afinal, eu não tinha nada mesmo a por naqueles bolsos, mas certamente ainda teria que andar muito na garoa.
Enquanto caminhava em meio às araras atulhadas de roupas de outrora, que os vendedores se arriscam a denominar de seminovas, mas deveriam ser denominadas ou qualificadas como semivelhas, eu pensava nos seus antigos proprietários.
Talvez seja verdade que o hábito faz o monge, mas talvez seja mais verdadeiro que o usuário modela a roupa conforme os seus hábitos ou não seria tão fácil para mim naquele momento imaginar os seus antigos donos. Certamente podemos classificar as pessoas que vendem as roupas aos brechós em duas categorias: os falidos e os falecidos. Sendo que nem os primeiros nem os segundos retêm consigo o dinheiro amealhado com a venda do seu vestuário.
Da mesma maneira, creio eu, podemos classificar em duas categorias as pessoas que compram roupas em brechós: os duros e os desqualificados Os duros são aqueles que não têm dinheiro para comprar aquele tipo de roupa em outro lugar e os desclassificados não têm classe para comprar roupas em outro lugar. Eu era dos dois tipos, creio.
Ali eu vi um cardigã que poderia ter pertencido a um diplomata ou nobre falido ou falecido; um terno, de um executivo demitido, falido ou falecido. Certamente o vestido de noiva deveria ter pertencido , muito mais provavelmente a uma senhora falecida do que a uma desquitada. Isto porque não acredito que uma mulher se desfaça de um vestido de casamento a não ser que esteja morta ou tenha se separado e se casado novamente e, portanto, tendo dois vestidos, se desfeito do primeiro.Ah, claro, pode ser que tenha falido e vendido o vestido fadado a amarelar num baú empoeirado esquecido num sótão. Uma calça de curvim vermelho poderia ter pertencido a uma prostituta mas faltava a ela um certo surrado que a vida nas esquinas da noite certamente teria vincado em seu tecido; então provavelmente teria pertencido a algum artista dos palcos, cantora de banda porque sei por experiência própria, com uma ex-namorada, que cantoras de bandas descartam alguns dos figurinos anteriores com a mesma facilidade que o fazem com os namorados. Pensando bem não só os falecidos e falidos vendam as suas roupas a brechós; talvez os duros e desclassificados também vendam e não apenas comprem roupas usadas.Então a cantora de rock desconhecida, seria uma dura.Certeza, porque a minha ex vivia me pedindo dinheiro e, assim, claro, não demos muito certo... e é por esta razão que a minha capa não precisava ter bolsos. Por isso, por ser dura, ela teria vendido aquela calça vermelha de curvim. E faria o mesmo com a calça de lycra, de tactel, de vinil, de tensel e eventualmente com a de couro.Mas se a calça de couro fosse da cor preta, masculina e bem surrada teria pertencido a um motoqueiro barbudo, um nômade das estradas; este sim falido e falecido nas terríveis estradas brasileiras.
Pode parecer absurdo mas as roupas têm sexo e isto é bem fácil de detectar visualmente, avaliando o modelo e as cores. Uma calça de couro vermelha, tamanho 36 seria feminina e uma calça de couro preta surrada tamanho 46 seria masculina. Mas salvo engano, se a calça vermelha 36 fosse masculina, certamente seria gay e se a calça preta 46 fosse feminina seria sapata. Não seria então, neste caso, difícil imaginar um motoqueiro magricela gay usando aquela calça vermelha ou uma cantora de rock sapata usando a calça de couro preta e surrada.
O estado de conservação das roupas fala muito a respeito da sua vida, ou melhor, do seu usuário pregresso: se for surrada,conotará uma vida ativa, conturbada, talvez até perigosa. Mas é bem fácil diferenciar um jaleco de milico surrado por um punk da periferia de um jaleco usado por um reco durante vários treinamentos e noites insones de vigilância no quartel. Também são diferentes os rasgos feitos com gilete por uma menina rebelde, grunge da calça de uma estudante que foi atropelada.E certas manchas, como as de sangue, podem insistir em continuar ali, mesmo depois de um tingimento.
Isto tudo efetivamente eu li nas roupas daquele brechó, mais ou menos como uma cigana quiromante lê nas linhas da mão de um consulente.
Mas ainda não teci conjecturas a respeito da minha capa de chuva. Pelo modelo, cor e tamanho, pertencera a um homem da minha altura, coroa, elegante. O quão coroa é que são elas. Num país tropical, numa cidade fria e chuvosa, certamente a sua utilidade era para um pedestre. Um motorista brasileiro jamais usaria uma capa de chuva , porque é quente e facilmente substituída por um guarda-chuva. Assim ela pertenceu a uma pessoa, um pedestre costumeiro que tinha dinheiro o suficiente para comprar uma roupa cara mas que não dirigia, por causa da idade ou de incapacidade. Em qualquer um dos casos o que o levaria a tirar o forro da sua capa? Nada! E ele, este usuário... seria um falido ou um falecido? Esqueça o falido; este senhor de meia-idade , quem sabe um setentão é um aposentado, ou quem sabe um pensionista que não pode dirigir. Sem problemas de dinheiro e com necessidade de um forro para protegê-lo da garoa fina e fria da metrópole enevoada. Aquela capa teria pertencido a esta pessoa que teria morrido esfaqueada e o sangue empapado de tal maneira o forro que a única alternativa para se vender a peça fôra retirar o forro.
Levei a capa mesmo assim e usei-a por um bom tempo até descartá-la quando comprei uma capa melhor, mas esta é outra história, porque a capa era nova. Talvez essa nova capa vá a um brechó um dia mas onde estará hoje aquela velha capa verde-musgo?

Esta é a primeira vez que os meus ventos sopram nesta praia. Ventos bons que me trazem e espalham as minhas palavras como Areias aos 4 Ventos.Obrigados a todos e especialmente a Bia por abrir as portas da casa para que os meus ventos soprem...

Gregory Grimaud

Gregory Grimaud soprou estas palavras ao vento às 1:39 AM
 

Novo participante


Registrando aqui as boas vindas ao Grimaud, novo colega que estará ao nosso lado, ajudando a espalhar nossas palavras ao vento. Seja muito bem vindo, e que bons ventos o tragam!!

Bia soprou estas palavras ao vento às 1:35 AM
 


24.4.03

Em homenagem ao colega Francisco Maximiano da Silva (post abaixo), que ainda continua não conseguindo acessar o blog, segue a letra de AUTODESTRUIÇÃO, do cd "STRESS, DEPRESSÃO & SÍNDROME DO PÂNICO", da excelente banda AUTORAMAS.

Autodestruição
(por Gabriel Thomaz)

Em nome da ambição e da vaidade/ e da vontade de passar por cima de quem você bem entender/ fruto de um deslumbramento totalmente equivocado/ atitudes que só vão fazer acontecer a sua autodestruição/ se meter com gente burra/sabendo que ela é burra/porém bem mais poderosa que você/autodestruição.../ pior ainda é sua língua afiada/ usada com uma autoridade que você não tem/ perder o bom senso mas não perder a piada/ é mal pra quem nunca conseguiu manipular ninguém/autodestruição/falar mal de gente burra/ sabendo que ela é burra/porém bem mais poderosa que você

Rangel soprou estas palavras ao vento às 11:22 AM
 


23.4.03

Sócio-Biologia por Pensamentos Gene-Meca-Humanóides.
Um Breve retrato dos comportamentos institivos destrutivos nos humanos.



Uma das frases mais interessantes de O Exterminador do Futuro 2, é: "Está
em seus genes se auto-destruirem", o que me faz pensar, que "o valor evolutivo
da inteligência é questionável. As bactérias se defendem muito bem e certamente
sobreviverão a nós, que mesmo inteligentes vivemos flertando com a extinção
em massa"( a frase é de Stephen Hawking, autor de Uma Breve História do
Tempo, e o Universo Numa Casca de Nós ).
Um dos grandes problemas psíquicos da humanidade, é que o oprimido tem
a intenção de oprimir. E isto pode ser a causa de muita insanidade. Dizem
que possuímos instintos selvagens, que vêm à tona em situações limites mediante
descargas hormonais regidas por nossos genes. Porém prefiro acreditar que
não somos autômatos complexos, que nossos genes e hormônios dizem tudo,
o que somos e fazemos. Temos consciência, ( seja lá o que isso for num contexto
científico ) o que nos torna capaz de escolher e nem sempre fazer o que
nossos genes e impulsos institivos-hormonais nos dizem. Não somos uma espécie
de bio-robô. Temos uma escolha. Sempre há uma escolha, você pode dizer sim
ou não. Não tomar uma decisão, também é tomar uma decisão.

*Obs.: O assunto Autoramas desta mensagem, foi dado em homenagem a banda
idependente Autoramas, que possui uma música chamada auto-destruição.

Por: Francisco Maximiano da Silva
(que continua não conseguindo acessar o blog)

Bia soprou estas palavras ao vento às 9:38 PM
 


20.4.03

Os Anjos Caídos
(ou A Construção do Caos)

Os homens são anjos caídos que Deus mandou para Terra
porque botaram defeito na criação do mundo.
Aqui, começaram a inventar coisas, a imitar Deus.
E Deus ficou zangado, mandou muita chuva
e muito fogo, eu vi de perto a sua raiva sacra,
pois foram sete dias de trabalho intenso,
eu vi de perto, quando chegava uma noite escura

Só meu candeeiro é quem velava o Seu sono santo
Santo que é Seu nome e Seu sorriso raro
Eu voava alto porque tinha um grande par de asas
Até que um dia caí

E aqui estou nesse terreiro de samba
Ouvindo o trabalho do Céu
E aqui estou nesse terreiro de guerra
Ouvindo o batalha do Céu
Nesse terreiro de anjos caídos

Cá na Terra trabalho é todo dia
Levantar quebrar parede
Matar fome matar a sede
Carregar na cabeça uma bacia
E esse fogo que a Sua boca envia
Pra nossa criação

Deus
Esse terreiro de anjos
Esse errar que é sem fim
Essa paixão tão gigante
Esse amor que é só Seu
Esperando Você chegar

Os Homens aprenderam com Deus a criar
e foi com os Homens que Deus aprendeu a amar

(Lirinha)

Cordel do Fogo Encantado
O Palhaço do Circo Sem Futuro





Rangel soprou estas palavras ao vento às 10:14 PM
 


15.4.03

Palavras ao Vento

Ando por aí querendo te encontrar
Em cada esquina paro em cada olhar
Deixo a tristeza e trago a esperança
em seu lugar
Que o nosso amor pra sempre viva
Minha dádiva
Quero poder jurar que essa paixão jamais será
Palavras apenas
Palavras pequenas
Palavras momentos
Palavras, palavras
Palavras, palavras
Palavras ao vento

(Marisa Monte e Morais Moreira)

Sugestão:
Cássia Eller
Com Você... Meu Mundo Ficaria Completo
Palavras ao Vento

Rangel

Rangel soprou estas palavras ao vento às 11:53 AM
 


11.4.03

MEIO TERMO

(CACASO)

(música de Lourenço Baêta)



Ah! como eu tenho me enganado
como tenho me matado
por ter demais confiado
nas evidências do amor
como tenho andado certo
como tenho andado errado
por seu carinho inseguro
por meu caminho deserto
como tenho me encontrado
como tenho descoberto
a sombra leve da morte
passando sempre por perto
o sentimento mais breve
rola no ar e descreve a eterna cicatriz
mais uma vez,
mais de uma vez,
quase que fui feliz!

"a barra do amor
é que ele é meio ermo
a barra da morte
é que ela não tem meio termo"

Li Stoducto soprou estas palavras ao vento às 5:16 PM
 

Não me lembro exatamente ao ano, talvez 1.994. Tratava-se de mais uma daquelas noites de domingo em que eu ia até a igreja para, com a comunidade, celebrar a vida.

Em um determinado momento da celebração, todos ouvíamos mais um empolgante ensinamento proferido por um eloqüente celebrante. Por alguma razão, que eu não me lembro qual, ele falava sobre a paz e, em um exato momento, lançou mão de uma folha de papel na qual trazia belas palavras sobre a paz, as quais levaram muitas pessoas à reflexão, assim como aconteceu comigo.

Após o celebrante tirar todos os seus materiais da mesa, constatei que ele havia deixado ou esquecido aquela folha de papel. Eu, na ingênua intenção de levar aquelas palavras para sempre comigo, como se o aprendizado daquela noite não bastasse, subtraí para mim aquele pedaço de papel.

Passo a transcrever referido texto:

Ora, esta paz é uma paz companheira - Shalom Aleyhem - que a paz paire sobre vós, que ela vos cubra à semelhança do Espírito de Deus que pairava sobra as águas do caos. No início da criação, este Espírito de Deus cobria com sua presença o que logo tomaria consistência, forma, definição.
A paz não consiste num olhar beato, a se contemplar fora do tempo como o de dois amantes, tão pouco uma simpática expressão de qualquer iluminado.
A palavra paz, num primeiro sentido significa: ser completo, perfeito, sólido, ter boa saúde; em outro sentido: pagar uma dívida; em um terceiro sentido: reconciliar.
Assim, Shalom ou Paz é um ato de Deus, e de Deus somente.
Este é um apelo para buscarmos, na fé, a perfeição, realizados e realizando; pagar nossas dívidas em relação à vida que vivemos e na vida que somos dentro da sociedade, ser sólidos na fé. Enfim, ser todo o oposto do que nos faz prisioneiros, resistindo todo e qualquer desafio dos tempos atuais.


Desejo a todos a verdadeira paz.

Rangel

Rangel soprou estas palavras ao vento às 2:20 PM
 



do arrependimento...

Eu poderia justificar-me a mim mesma
alegando a pressa, os desencontros, o desespêro
mas não convenceria
talvez o mundo se convencesse
mas eu não.
Sei quando erro
e sei quando o êrro está no tom
e não na palavra.
Por mais que eu exercite
a minha generosidade latente
o egoísmo sempre vem e atropela
a falta de jeito, o tosco,
o louco que assalta...
Reconheço o tropeço
e me recolho.
Nada a fazer depois de
meter os pés pelas mãos
e a cabeça bem atrás
e o coração calado chora...
Tarde demais para um simples pedido
de perdão
O mesmo tempo que não dei
Terei que esperar
e esperarei.

Se estiver cantando uma canção de amor, não desafine, não perca o tom...
é preferível o silêncio a este desafinar o som...


para Bia

CoRa soprou estas palavras ao vento às 1:36 PM
 


9.4.03

dos meus dias

penso penso penso...
às vezes falo
às vezes calo
tem dias que só penso
nem falo só me calo
outros dias em que penso
falo falo e não me calo
finalmente aqueles dias
em que não pensando falo, falo, falo
e então calo a minha voz
depois me sinto só

só!

tarciso soprou estas palavras ao vento às 11:19 AM
 


8.4.03

Um dia desses, estive em um show de um excelente cantor do pop rock nacional, um desses cantores que, por conta das incompreensíveis leis do mundo artístico, apenas pode e consegue expor as suas verdadeiras obras a um número reduzido de admiradores que, como eu, não compreendem porque uma pessoa com tamanho talento, detentora de grandiosa inspiração e agraciada pelo divino dom de escrever e cantar, é reconhecida apenas por um pequeno número de pessoas que, muitas vezes, são capazes de compreender o quão maravilhosas são suas palavras e músicas.

É um grande pesar sabermos que, na maioria das vezes, apenas resta para a maioria das pessoas a dita cultura de "éguas" e "bundas", que não passa de lixo cultural, cuja origem está na desigualdade social que patrocina a miséria e a ignorância. Desigualdade esta que violentamente retira do ser humano a possibilidade de compreender e conhecer o quão maravilhosa é a vida.

Agradeço a Deus pela vida daqueles - pais, colegas, amigos, professores e outros - que até hoje tentam me conduzir por caminhos menos tortuosos que me levam ao encontro de pessoas que, através de atos e palavras, são capazes de construir um mundo melhor.

Deixo um convite para um evento cultural especial:

ZERØ vai estar tocando em São Paulo no dia 11 de abril de 2.003, sexta-feira, no Café Aurora, localizado na Rua 13 de Maio, 112, a partir das 22:00 horas. Maiores informações: http://www.cafeaurora.com.br. Telefone: 11 3237-1246 ou 3214-6420.

Rangel

Rangel soprou estas palavras ao vento às 6:24 PM
 

ausência

rasguei duzentas folhas do caderno
mas já na capa estava escrito o que eu queria
era o teu nome enquanto havia algum segredo
me apaixonei pelos teus olhos
por tuas mãos sedosas, teus cabelos
pelo teu cheiro, teu jeito insinuante
ah nossos momentos de alcova
e o brilho fêmeo do teu olhar ao cio
que enchia todo o meu vazio
agora resta o grito
a angústia, o medo e a solidão
cruel tortura - infinda, desmedida
desde que no meio do silêncio
cravando em meu peito
a sina do abandono
você sorriu indiferente
dissimulando fez as malas - displicente
e dizendo adeus à meia voz, partiu...

tarciso soprou estas palavras ao vento às 2:52 PM
 


6.4.03

Lembrei do filme Um Estranho Chamado Elvis e fui procurar a música Suspicious Minds porque no filme o estranho que se chama Elvis treme na hora de cantá-la pois todos estavam duvidando da sua história. Isso me veio porque o Caetano Veloso cantou na entrega do Oscar e só se falou do seu nervosismo. Que bom que o Caetano tremeu. Que bom que a gente treme de vez em quando. É muito legal sentir isso. Que bom que tremi na primeira aula deste e de outros anos. Naquela cerimônia cheia de cerimônias só quem não tremeu foi quem tinha um texto pronto e ensaiado que não dava espaço para o menor improviso. Detesto cerimônias ensaiadas e o simples fato de tremer já quebra o gêlo e torna a vida mais humana. Tem certas coisas que nos deixam leves quando fazemos. Escrever, por exemplo, me alivia muito e não fico nervoso escrevendo mas na hora de mostrar para alguém o que escrevi, claro que dá um frio na barriga. Cantar é transcender para quem canta e não deve existir momento mais sereno para quem canta, mas até o Elvis tremia antes do show. E ainda tem o primeiro encontro, o primeiro beijo e ...
Então vamos combinar de nunca deixar de fazer algo pelo medo de tremer na hora. Se o Caetano tremeu cantando...podemos tremer vivendo.

E a guerra continua...





"Pois ouvi dizer que os que sabem viver, quando viajam por terra, não encontram rinocerontes nem tigres; quando vão para a batalha, não são atacados por armas e braços. Neles o rinoceronte não encontra lugar para enfiar o chifre nem o tigre para crivar suas garras; neles não há lugar onde as armas possam mergulhar suas lâminas."

Lao Tsé


Antonio Esperança

soprou estas palavras ao vento às 5:42 PM
 


5.4.03

Agradeço o convite da Bia e uno-me a vocês apesar de já ter avisado a ela que fatalmente serei uma "postista" bissexta... :) Beijos a todos!

COLCHA DE RETALHOS

(eliane stoducto)


A felicidade é uma colcha de retalhos
que eu vou costurando devagar
tecendo-a com as linhas das tristezas,
dos risos e das lágrimas do olhar

Li Stoducto soprou estas palavras ao vento às 1:37 AM
 


4.4.03

Aprendizagem

O que é aprendizagem?
Uma jornada e um processo, nunca um fim ou uma conclusão.
O que é um instrutor?
Um guia, nunca um sentinela ou um ditador.
O que é uma descoberta?
Um processo constante de questionar as respostas e não de responder às perguntas.
Qual é a meta?
Mente aberta de modo a que você possa ser e nunca saídas fechadas de modo a que você tenha que fazer.
O que é um teste?
Ser e tornar-se; não apenas lembrar e revisar.
O que ensinamos?
Indivíduos e não lições, estilos, sistemas, métodos ou técnicas.
O que é uma escola?
O que quer que façamos dela.
Onde é a escola?
Em toda parte; não em uma sala de quatro cantos, mas onde quer que estejamos.

Bruce Lee

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Enviado por Francisco M. Silva
que misteriosamente ainda não está conseguindo postar por aqui por problemas técnicos.

Bia soprou estas palavras ao vento às 2:49 PM
 

Deixo aqui minhas boas vindas à Rangel, que aceitou o desafio de soltar suas palavras ao vento, juntando-se a todos nós, que acreditamos que palavras ao vento, nem sempre são apenas "palavras ao vento"...
Um abraço Margarete!!

Bia soprou estas palavras ao vento às 2:47 PM
 

Olá pessoal!
Sou a Margarete Rangel e, a partir de hoje, passarei por aqui para deixar algumas singelas palavras.
Bia, agradeço o carinho e a compreensão.

"(...)
Deuses de além
Duendes do ar
Anjos do bem
Vão te mostrar
Uma luz maior
Capaz de convercer
Que um mundo bem melhor
Existe em você
Só pro seu prazer
(...)"

Quimeras - Guilherme Isnard

Rangel soprou estas palavras ao vento às 2:19 PM
 


3.4.03

Nostalgia

Resolvi colocar a letra desta música aqui após o comentário
da Bia para meu último post no Papaya. Canta comigo, Bia
( e quem souber cante com a gente... )

Estrelas



Pela marca que nos deixa a ausência de som
Que a emana das estrelas
Pela falta que nos faz
A nossa própria luz a nos orientar
Doido corpo que se move
É a solidão dos bares que a gente freqüenta
Pela mágica do dia
Que independeria da gente pensar
Não me fale do teu medo
Ah, eu conheço inteira sua fantasia
E é como se fosse pouca
E a nossa alegria não fosse bastar
Quando eu não estiver por perto
Canta aquela música que a gente ria
É tudo o que eu cantaria
E quando eu for embora você cantará

(Oswaldo Montenegro)

Gutto Rabelo soprou estas palavras ao vento às 11:36 AM
 




Vim para fazer a diferença
Para te fazer diferença na vida
Andei brincando de ser igual
E, fazendo como os outros,
seguindo bons conselhos,
só me dei mal...

Vim pra ser o que sou
Oposta, já que é assim que me vês
Não vim cumprir qualquer promessa
Não me encaixo na tua proposta de normalidade
mas sou.

Queria que te bastasse.
Que o meu jeito estranho
te conquistasse,
sem que eu precisasse ser
compreensível
adequada,
normal.

CoRa soprou estas palavras ao vento às 10:03 AM
 


2.4.03

Olhas mas não me vês
Escutas mas não me ouves
Julgas mas nem conheces
Pensas que entende
O que na realidade é incompreensível
Porque sou eu e o que sinto
e o que sinto é incompreensível a qualquer um
que não a mim
Dizes que me perdoas
E que esqueces
Quando tudo o que quero é que te lembres
Que jamais esqueças:
Quem primeiro amou fui eu.
Guarda também a tua dor:
A minha já me basta.
Recolhe tuas migalhas
Haverá por certo alguém a precisar delas
Mais
Muito mais do que eu.
Por fim então,
Deixe-me partir
Pois já nem sei mais o que digo
Apenas o que sinto
E o que sinto dói dentro do peito
Perdoa-me apenas por te esquecer.





Bia soprou estas palavras ao vento às 10:23 AM
 
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